Hoje, quando o hospital, o convênio ou o paciente paga pelo seu atendimento, o valor cheio cai na conta da sua empresa e os impostos saem depois, no vencimento de cada guia. Com a Reforma Tributária, isso vai mudar: o split payment para médicos faz parte do imposto ficar retida no próprio pagamento, antes do dinheiro chegar até você.
Neste artigo a gente explica, sem economês, o que é o split payment, quando ele começa de verdade e o que você já pode fazer pra não ser pego de surpresa no caixa.
Índice
ToggleO que é o split payment, em uma frase
É a divisão automática do pagamento: no momento em que o dinheiro é liquidado (num PIX, boleto ou cartão, por exemplo), o sistema de pagamento separa a parte do IBS e da CBS e manda direto pro Fisco. O restante vai pra conta da sua empresa.
Esse mecanismo está previsto nos artigos 31 a 35 da Lei Complementar 214/2025, a lei que regulamentou a Reforma Tributária do consumo.
Split payment para médicos: por que isso te afeta
O médico que atua como PJ no Lucro Presumido está no chamado regime regular do IBS e da CBS, os dois tributos que vão substituir PIS, COFINS e ISS. É justamente esse regime que o split payment alcança.
E tem um detalhe importante: boa parte do faturamento médico vem de hospitais, clínicas e operadoras de convênio, que são empresas. As operações entre empresas são exatamente por onde o split payment deve começar.
A boa notícia continua valendo
Os serviços de saúde têm redução de 60% nas alíquotas de IBS e CBS. A gente detalhou essa regra no artigo Redução de IBS/CBS pra saúde. O split payment não muda quanto você paga, muda quando o dinheiro sai: na hora do pagamento, e não mais no vencimento da guia.
Quando o split payment começa de verdade?
Aqui é importante separar o que já está definido do que ainda é previsão:
- Já definido: o split payment está na lei, e a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS publicaram em junho de 2026 a documentação técnica da plataforma que vai operar o sistema.
- 2027: o mecanismo começa de forma gradual e facultativa, principalmente nas operações entre empresas.
- Obrigatoriedade: vai acontecer por etapas, conforme os meios de pagamento forem sendo integrados. A imprensa fala em 2028 para as operações entre empresas, mas esse cronograma ainda não foi formalizado.
Ou seja: não é pra entrar em pânico, mas também não dá pra deixar pra última hora. Quem se preparar em 2026 e 2027 chega tranquilo.
Na prática: como fica o dinheiro que entra
Um exemplo ilustrativo: uma médica recebe R$ 40.000 por mês de hospitais e convênios.
- Hoje: os R$ 40.000 caem inteiros na conta, e os tributos sobre o serviço são pagos nas datas de vencimento de cada guia.
- Com o split payment, no modelo completo: usando a estimativa de carga de IBS/CBS pra saúde (em torno de 10,6%, já com a redução de 60%), cerca de R$ 4.240 ficariam retidos no próprio pagamento, e aproximadamente R$ 35.760 chegariam à conta.
O imposto é o mesmo. O que muda é que aquele dinheiro que hoje fica alguns dias ou semanas no seu caixa, antes de virar guia, deixa de passar por ele.
Importante: os números de IBS/CBS são estimativas de referência. As alíquotas definitivas dependem de Resolução do Senado Federal ainda não publicada, e a transição é gradual até 2033 (em 2027 incide a CBS, e o ISS vai sendo substituído pelo IBS entre 2029 e 2033). Use o exemplo pra entender o mecanismo, não como cálculo do seu caso.
E os pacientes particulares?
Quando quem paga é pessoa física, a lei prevê um procedimento simplificado, que a empresa pode escolher usar: em vez de calcular operação por operação, o valor retido segue um percentual pré-definido. As regras operacionais ainda dependem de regulamentação.
Split payment para médicos: o que fazer desde já
- Olhe o seu capital de giro. Se hoje você usa o dinheiro dos tributos por alguns dias pra pagar aluguel, secretária ou equipamentos, simule como fica o mês sem essa folga.
- Lembre que folha e pró-labore não geram crédito. Os maiores custos de um consultório normalmente não abatem IBS/CBS, então a retenção pesa de verdade no fluxo de caixa.
- Revise contratos com hospitais e convênios. Prazo de pagamento e forma de repasse passam a importar ainda mais quando parte do valor já chega retida.
- Deixe a nota fiscal certa. O valor retido parte das informações do documento fiscal, e um cadastro errado de serviço pode fazer a alíquota reduzida da saúde não ser aplicada.
- Acompanhe o cronograma. As datas de obrigatoriedade ainda vão ser publicadas, e cada setor pode entrar num momento diferente.
Perguntas frequentes
O split payment aumenta o imposto do médico?
Não. Ele muda o momento do recolhimento, não o valor do tributo. O que pesa mais é o efeito no caixa, porque o dinheiro do imposto deixa de passar pela conta da empresa.
O split payment já é obrigatório em 2027?
Não. Em 2027 ele começa de forma gradual e facultativa. A obrigatoriedade vai ser definida em cronograma próprio, que ainda não foi publicado.
Médico no Simples Nacional também entra no split payment?
Quem fica no Simples Nacional tradicional, recolhendo tudo pelo DAS, fica de fora da primeira fase. A regra atinge quem está no regime regular do IBS/CBS, como o Lucro Presumido, ou quem optou pelo modelo híbrido do Simples.
Preciso fazer alguma coisa agora?
Nada de urgente, mas vale usar 2026 e 2027 pra simular o impacto no seu caixa e ajustar cadastro de notas e contratos com calma, antes da obrigatoriedade.
Quer saber como fica o seu caixa?
Cada consultório tem uma estrutura de receitas e custos diferente, e é isso que define o quanto o split payment vai pesar no seu mês. Na Herói Contador a gente simula esse impacto com os seus números reais e ajuda a organizar a transição com tranquilidade. Se você ainda está em dúvida sobre o regime certo, veja também o artigo Imposto do médico PJ: quanto sai por mês, na prática.
Chama a gente no WhatsApp e descubra como preparar o seu consultório pro split payment.