Se você é fisioterapeuta e atende como pessoa jurídica no Simples Nacional, existe uma regra que pode multiplicar o seu imposto por mais de dois: o Fator R para fisioterapeutas. Dois profissionais com o mesmo faturamento podem pagar alíquotas bem diferentes, e a diferença está em um número que você controla. Neste guia, a Herói Contador explica o que é o Fator R, como ele se aplica à fisioterapia e a outras profissões da saúde, e como calcular o seu.
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ToggleO que é o Fator R no Simples Nacional
O Fator R é a relação entre a folha de salários da empresa e a sua receita bruta, ambas somadas nos 12 meses anteriores ao mês de apuração. Ele define em qual tabela do Simples Nacional a sua empresa será tributada: o Anexo III (mais barato) ou o Anexo V (mais caro).
- Folha ÷ receita igual ou maior que 28%: tributação pelo Anexo III, com alíquota inicial de 6%.
- Folha ÷ receita menor que 28%: tributação pelo Anexo V, com alíquota inicial de 15,5%.
As faixas de 28% e a regra de comparação estão na Lei Complementar 123/2006 (art. 18, §§ 5º-J, 5º-K e 5º-M). Você pode conferir o texto oficial no Planalto.
Fator R para fisioterapeutas: por que ele importa
A fisioterapia está listada no art. 18, § 5º-B, inciso XVI, da LC 123/2006. Por padrão, essa atividade é tributada pelo Anexo III, mas o § 5º-M determina que, quando a folha representa menos de 28% da receita, ela passa para o Anexo V.
Na prática, isso significa que o Fator R para fisioterapeutas decide se a alíquota inicial será de 6% ou de 15,5%. Quem presta serviço sozinho, sem funcionários e com pró-labore baixo, costuma cair no Anexo V sem perceber.
Outras profissões da saúde na mesma regra
O § 5º-M, inciso I, aplica a mesma lógica a outras atividades do § 5º-B: fisioterapia (XVI), arquitetura e urbanismo (XVIII), medicina e enfermagem (XIX), odontologia e prótese dentária (XX), e o grupo do inciso XXI: psicologia, psicanálise, terapia ocupacional, acupuntura, podologia, fonoaudiologia, clínicas de nutrição e de vacinação e bancos de leite.
Ou seja, psicólogos, nutricionistas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, dentistas e enfermeiros também precisam acompanhar o Fator R. O raciocínio deste artigo vale para todos eles.
Atenção: o enquadramento de médicos tem particularidades próprias (inclusive a comparação com o Lucro Presumido) e merece um artigo específico.
O que entra na folha de salários do Fator R
Segundo o art. 18, § 24, da LC 123/2006, a folha considera, nos 12 meses anteriores:
- salários e demais remunerações pagas a pessoas físicas pelo trabalho;
- as retiradas de pró-labore dos sócios;
- a contribuição patronal previdenciária e o FGTS efetivamente recolhidos.
Ficam de fora os valores pagos a título de aluguéis e de distribuição de lucros (§ 26). Isso é decisivo: lucro distribuído não ajuda no Fator R, só o pró-labore e a folha de funcionários. Além disso, só entram as remunerações informadas ao eSocial, conforme o § 25.
Exemplo prático: quanto o Fator R muda no imposto
Imagine uma fisioterapeuta que fatura R$ 12.000 por mês (R$ 144.000 nos últimos 12 meses), na primeira faixa do Simples Nacional.
- Para atingir 28%: a folha precisa somar R$ 40.320 em 12 meses, ou cerca de R$ 3.360 por mês.
- Com Fator R abaixo de 28% (Anexo V, 15,5%): DAS de aproximadamente R$ 1.860 por mês.
- Com Fator R de 28% ou mais (Anexo III, 6%): DAS de aproximadamente R$ 720 por mês.
A diferença no DAS é de cerca de R$ 1.140 por mês. Em contrapartida, o pró-labore de R$ 3.360 gera INSS do sócio (11%, cerca de R$ 370) e eventual imposto de renda retido. Mesmo descontando esses custos, o saldo costuma ser favorável, mas ele varia caso a caso.
Valores ilustrativos, considerando a primeira faixa de receita dos Anexos III e V. A conta real depende do seu faturamento, da sua faixa e dos encargos de cada situação. Não substitui uma simulação feita para o seu CNPJ.
Como subir o Fator R de forma segura
- Ajuste o pró-labore: é o caminho mais comum. O valor precisa respeitar o piso legal (um salário mínimo) e ser compatível com a realidade da empresa.
- Calcule mês a mês: como a relação usa os 12 meses anteriores, o efeito de uma mudança aparece gradualmente.
- Considere funcionários: recepcionista ou auxiliar contratados via CLT entram na folha e podem ajudar.
- Compare o custo total: pró-labore maior eleva o INSS e pode elevar o IR. O objetivo é pagar menos no total, não apenas reduzir o DAS.
Se o Fator R oscila ao longo do ano, o enquadramento muda mês a mês. Por isso o acompanhamento contínuo faz diferença.
E a Reforma Tributária? O que muda para a saúde
A Lei Complementar 214/2025 prevê redução de 60% nas alíquotas de IBS e CBS para serviços de saúde, conforme explicamos neste artigo sobre a redução de IBS e CBS na saúde. Quem está no Simples Nacional continua com o DAS e as regras do Fator R, e a transição ocorre gradualmente. Os efeitos práticos para cada profissão dependem da classificação do serviço e de regulamentações ainda em andamento, então vale acompanhar as atualizações antes de tomar decisões baseadas na Reforma.
Conclusão
O Fator R para fisioterapeutas pode representar a diferença entre pagar 6% ou 15,5% de alíquota inicial. Entender quais valores entram na folha, planejar o pró-labore e acompanhar a relação a cada mês evita pagar imposto a mais sem necessidade. Se você quer saber em qual anexo o seu CNPJ está e quanto pode economizar, fale com a Herói Contador e receba uma simulação para o seu caso.